URSULA RUCKER AO VIVO NO FESTIVAL SILÊNCIO

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Ursula Rucker foi um dos cabeças de cartaz da segunda edição do Festival Silêncio.
Apresentou-se pela primeira vez em palco sem a companhia dos seus músicos. Um espectáculo memorável que encheu a alma de quem esteve naquela noite de Junho, a celebrar a palavra, no Musicbox.

É um problema diário e inevitável: a mediatização ao segundo tem criado problemas de concentração nos robots que não conseguimos deixar de ser, num século de pontas idênticas, em que passámos com a mesma indiferenciação das fábricas oleosas para os escritórios hiperligados. O reflexo no consumo da produção artística e na própria produção é evidente. E é aqui que entram os méritos de Ursula Rucker. A norte-americana tem desenvolvido, desde que começou a trabalhar em spoken word, em 1994, um trabalho técnico que visa sobretudo cativar o público para o que é dito, chamá-lo à sua própria dignidade, a sua capacidade racional. A poesia ganha uma musicalidade muito concreta, num amplexo que abrange o hip hop e a electrónica. A interpretação é construída em favor do texto, cognoscível e não a intrincada – tantas vezes acéfala – massa vocal habitual.