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O segundo dia do Festival Lisboa Capital República Popular conta com três nomes de referência da música popular nacional; Toc'Andar, Omiri e Gaiteiros de Lisboa.
TOC'ANDAR
Nascido na Marinha Grande no ano 2000 como projecto pedagógico e artístico, o Tocándar transporta para a actualidade a festa dos “Zés Pereiras”. Na rua ou em palco, o grupo apresenta um espectáculo que faz a fusão entre bombos, caixas, timbalões, djembés, didgeridos, espanta espíritos, estruturas metálicas, bidões, caretos, cabeçudos, gigantones, tamborileiros e gaiteiros, onde convivem ambientes rítmicos tradicionais e contemporâneos, impregnados de energia juvenil. O grupo realiza arruadas, espectáculos em palco e oficinas de percussão. Cada espectáculo é o culminar de um processo de aquisição de competências na área das culturas tradicionais, desenvolvido de forma cooperada. Parte do trabalho de preparação é desenvolvida nas Oficinas do Projecto A-Ventura, da Escola Secundária Eng. Acácio Calazans Duarte, na Marinha Grande e envolve alunos de diferentes escolas.
OMIRI
Para reinventar a tradição, nada melhor que trazer para o próprio espectáculo os verdadeiros intervenientes da nossa cultura; músicos de todo o país a tocar e a cantar como se fizessem parte de um mesmo universo. Não em carne e osso mas em som e imagem, com recolhas realizadas por Tiago Pereira, transformadas e manipuladas em tempo real, servindo de base para a composição e improvisação musical de Vasco Ribeiro Casais.
Também se propõe um baile onde todos os temas tocados são dançáveis, segundo o ritmo e o balanço das danças tradicionais e não só (Repasseados, Drum’n’base, Malhões, Viras, Break Beat, Corridinhos…).
Omiri é, acima de tudo, remix, a cultura do século XXI, ao misturar num só espectáculo práticas musicais já esquecidas, tornando-as permeáveis e acessíveis à cultura dos nossos dias, isto é, sincronizando formas e músicas da nossa tradição rural com a linguagem da cultura urbana.
Em Omiri a música e cultura portuguesa é rica e gosta de si própria.
GAITEIROS DE LISBOA
O Grupo formou-se em 1991, sendo actualmente composto por Carlos Guerreiro, José Manuel David, Pedro Calado, Paulo Marinho, Pedro Casaes, Rui Vaz, músicos que têm feito o seu percurso em torno da música popular/tradicional, com participações em projectos musicais de outros grupos e autores consagrados no âmbito da Música Tradicional, do Rock, do Jazz, da Música Clássica e da Música Antiga, tais como José Afonso, Sérgio Godinho, Vitorino, Amélia Muge, Rui Veloso, Sétima Legião ou Adufe.
A primeira apresentação ao vivo (com José Mário Branco) foi em 21 de Março de 1994, no Centro Cultural de Belém, desvendando, as intenções "bárbaras": Música em estado puro, a conjugação dos instrumentos; agarrar em dois bocadinhos de cana e um canivete e fazer um instrumento, colocar vozes por cima, tocar e fazer harmonias; recolha, transformação dos materiais, daquilo que seria o som dos bárbaros que invadiram a península depois da queda do Império Romano...
Porquê "Gaiteiros de Lisboa"? Talvez porque em Lisboa não há gaiteiros... E daí, talvez responder afirmativamente. Gaiteiros, porque em bom português "gaita" tem um bom punhado de significados diferentes (sim também esse). As nossas "gaitas" são tudo aquilo em que pegamos à procura do SOM, reinventando sanfonas, buscando harmonias até aqui desconhecidas nas nossas gargantas, retesando peles, procurando percutir o que outros pisam, desafinando gaitas de foles, mas afinando tubos de electricidade.
*Textos fornecidos pela promotora
